ESTÍMULOS QUE NOS FAZEM CRESCER

Alguns dizem que escrever é conversar em silêncio com a caneta e o papel. Uma forma de manifestar emoções e sentimentos que experimentamos diante do mundo e das pessoas. Transpor a alma às mãos.

De minha parte, entendo que seja um instrumento facilitador para o conhecimento. Sabemos quão grande desafio é escrever e quanta persistência é necessária para assumi-lo. O fato é que a escrita nos permite entender melhor quem somos porque favorece a reflexão sobre o que fazemos e pensamos. À parte isso, é possibilidade para múltiplas formas de aprender, e uma das vertentes mais apaixonantes da profissão de jornalista é que passamos toda vida aprendendo.

Dessa forma, me dou conta que desde 2003 ocupo esse espaço falando sobre gente, atualidades, comportamento, caminhada, e diante da proximidade que tais assuntos sugerem, estabeleci certos vínculos. E justamente na semana de aniversário do Caminho do Sol, que acaba de completar seis anos de existência - e com o qual tenho uma forte ligação - reflito sobre a determinação e dedicação que marcam essa trajetória.

Manter o Caminho em pleno funcionamento é um grande desafio. Para tanto, é necessário confrontar-se com a extenuante tarefa de preservar a sinalização, enfrentando as enormes colhedeiras de cana e atos de vandalismo. Também manter o equilíbrio, a união e a filosofia peregrina nos albergues, bem como mostrar aos ciclistas a sutil diferença entre um “Caminho” e uma “Trilha”. Fora isso, ler atentamente cada questionário de avaliação, verificando possíveis falhas e procurando melhorias.

Como podemos perceber, existe um eficiente trabalho de administração e manutenção do mesmo, até o afeto de corajosos voluntários, passando pela cooperação de abnegados hospitaleiros, todos em prol de um Caminho melhor. Como diz um querido amigo, talvez não seja o melhor Caminho do mundo, mas certamente é o melhor que todos os envolvidos podem fazer. 

Parabéns a vocês!

Também é importante colocar que, durante esses dois mil cento e noventa dias, quase seis mil pessoas já registraram, ao longo do Caminho, sua força e poder de superação, o que consolida uma energia própria ao percurso. Independente dos objetivos individuais, todos empenharam-se com fé e plantaram uma pequena semente na conclusão da jornada, de modo que cada um de nós deve cultivá-la, para que tudo se transforme em seu devido tempo.

Todavia, por mais curioso que possa parecer, isso ainda não é suficiente. Ele, o coração, afirma que ainda há muito por fazer, porque aquilo que escrevemos em nossa história é o que para sempre nos norteia. As barreiras afetam, cansam e, por vezes, desanimam, mas fortalecem. Hoje, quando presencio alguma dificuldade, luto para dominar o pessimismo (juro que estou me esforçando) e ser digna daquilo que escrevi em meu livro. E recordo como foi complexo percorrer sozinha, com peso, bolhas e dores, quase 300 km.

Ocorre que se não existisse nenhum desafio a ser vencido, também não existiria estímulo que nos fizesse crescer. Se não aceitarmos que a evolução acontece à medida que nossa compreensão e coragem são colocadas à prova, é melhor nem buscar soluções ou levantar da cama todas as manhãs.

Portanto, sugiro que sintamos, de todo coração, que a vida está sendo vivida como deve.

Assim me ensinou o caminho.

Muito obrigada por tudo, obrigada, obrigada...

“Eu dou sempre o melhor de mim, pois sei que só assim é que talvez se mova alguma coisa ao meu redor” (Pitty – Memórias) .

- Fabiana é jornalista e autora do livro “Caminhos Que Nunca Terminam”, Ed. Luzes. Tem 31 anos e fez o Caminho do Sol em 2003; e o Caminho da Luz em 2004/2005. Sugestões de pauta: fabipassos76@terra.com.br

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